Coração partido
Era uma quinta-feira de verão
Estava nua deitada em seu peito
Olhando nos seus olhos
Estranhamente naquele dia ele me disse que meu olhar estava diferente
Até hoje não entendo o que ele quis dizer exatamente
Quando eu o olhava, na minha cabeça só passava a vontade de morar ali
Pensava na vontade de tirar nossos(meus) planos do papel e o quão disposta eu estava pra isso
O quão louca eu seria por fazer tudo isso
E o quão feliz também
Olhar nos olhos dele me trazia paz
Uma paz transvestida de inquietação
Trazia a vontade de viver
A coragem de largar tudo e encontrar nosso por do sol
Curiosamente mais tarde uma notícia quebraria todo esse encantamento e me traria para realidade novamente
Por vezes me sentia em um cabo de guerra no qual eu sempre soube o resultado
Mas eu teimosa insistia
Em uma ponta eu, puxando com toda força as aventuras, os planos, poemas e sonhos a serem vividos
Na outra, a vida dele com outra pessoa, com os sonhos e planos que obviamente não me incluíam
Naquela quinta eu levei o puxão final
Sentei
Chorei
Me lamentei
Queria que tudo não passa-se de um pesadelo, de um mal entendido
No começo me neguei a sentir o que estava sentindo
Mas ao fim entendi que era necessário sentir meu coração partido
Voltar pra realidade era dolorido
Entender o meu lugar de uma vez por todas machucou
Ter a prova que eu era apenas mais uma não foi fácil
Lembrar de todos os planos que deixei de fazer por ele
E de todos os outros que deixei para realizar com ele
Me destruíram
Mas quem afinal está errado se não eu?
Quando o silêncio sempre falou muito mais do que as palavras ditas
Jamais deveria eu ter criado ilusão com as meias palavras não ditas
No fim era eu, meus poemas, meus textos e canções
Juntando cacos pelo chão
Pra novamente me tornar uma nova versão
Peço apenas a este meu coração que não troque todo sentimento de amor, por ressentimento e decepção
Decepção de conhecer alguém tão bem ao ponto de entender que tudo não passou de palavras em vão.
Comentários
Postar um comentário