Ela

Ela escrevia poema na fila de um caixa

Sua cabeça fervilhava

Ela pensava em canções poemas e versos que as vezes rimavam

Tinha alma de pipa avoada

Se entregava demais em tudo que fazia

Reformulava versos e palavras em seus textos 

Tipo esse

Um texto de amor, que virou um texto de amor próprio 

Escrito na fila de um caixa

Apagado em baixo de um chuveiro 

Reescrito com um coração cheio de aperto


Ela escrevia

Porque em seus textos ela conseguia recalcular a rota

Voltar atrás, mudar seus exageros

Na vida ela não conseguia 

Era incansável 

A um ponto que a consumia

Imparável

Incontrolável 

Intragável 

Alguns a chamavam de maluca

Já foi chamada até de linda, louca e mimada

Ela chamava eles de hipócritas

Afinal, louco é quem não sabe amar


Sempre foi na contramão do mundo

Não se contentava com pouco

Ela queria tudo

Se não fosse do jeito dela então não servia

Contava os dias 

Gostava de plantinhas, até conversava com elas

Odiava pessoas frias

Aqueles que se desfaziam dela

Ela jogava pro fundo da lixeira

Pelo menos isso ela sabia

Cuidar de plantas e matar pessoas 

Porém nem todas

Escutava música alta

Dançava sozinha

Sonhava alto

Não gostava de metades

Intensa demais pra ser compreendida 

Intensa demais pra pessoas vazias

Em um mundo de faz de conta ela fazia tudo virar poesia

Era o jeito dela de levar a vida


Usava shorts curto

Pintava o cabelo de vermelho

As unhas descascadas eram sua marca registrada 

Sempre quis conhecer o mundo inteiro

Nunca ligou pra luxo

Queria mesmo era viver 

Como se nunca estivesse bom o suficiente 

Era amante louca

Das pequenas correntes

Aquelas oceânicas

Que nos levam para além do horizonte

Afinal ela tinha a imensidão e a profundidade de um mar

E via em pequenas coisas um bom jeito de amar

Por falar nisso, ela amava pequenos gestos 

Esses a ganhavam mais do que demonstrações malucas

Pra ela o amor morava nos detalhes

Por isso se apaixonava pela vida e por quem a mimava

O hino linda, louca e mimada, apesar de contraditório 

Era a maneira em que a vida ela levava

Mas afinal, tem jeito melhor de levar a vida do que sendo louca, amada e mimada?


Fazia o que queria

Na hora que queria

Como bem entendia

Palavras no começo até lhe convencia

Mas pra ela o gestos eram o que realmente valia

Gostava de gente feliz, que também fosse topada

Pra ela o morno não servia pra nada

 Talvez apenas pra virar mais uma página 

De um poema escrito em uma madrugada

Amava cachorros

Já teve periquito, coelho e até um besouro

Sua aleartoriedade assustava aqueles que tinham medo de viver além de uma vida normal

Ela ria deles

Achava engraçado

Um mundo inteiro pra ser explorado

E eles se contentavam em ficar em um quarto em plena véspera de feriado


Houve uma época que ela se perdeu

Achou que nunca mais se encontraria

Se tornou uma pessoa triste e vazia

Entendeu que o conforto do quarto era o lugar seguro

Só queria ficar dentro de seus muros 

Mas quando ela olhou por cima deles

Voltou a ver o mundo como uma música, um filme, uma poesia

Que precisa ser vivida, pra se ter uma escrita

Então ela se reencontrou 

Prometeu nunca mais sofrer de amor

Pobre menina

Mal sabia que no mundo, era o que ela mais encontraria

E sim, ela era linda

Via a vida como magia

E vivia com maestria.

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